quarta-feira, 22 de julho de 2009

Cada lugar teu



Pensa em mim, protege o que eu te dou. Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou, sem ter defesas que me façam falhar nesse lugar mais dentro, onde só chega quem não tem medo de naufragar.

Diz-me que vais guardar e abraçar tudo o que eu te dei. Mesmo que a vida mude os nossos sentidos e o mundo nos leve pra longe de nós, e que um dia o tempo pareça perdido e tudo se desfaça num gesto só. Eu vou guardar cada lugar teu, ancorado em cada lugar meu. E hoje apenas isso me faz acreditar que eu vou chegar contigo onde só chega quem não tem medo de naufragar.


Sim, hoje pensei escrever para nós. Mas depois ouvi esta música e achei adequada. Porque cada lugar meu tem sempre um pouco de ti. Sinto isto a crescer de uma maneira tão bonita que me enterneço e arrepio sempre que tomo consciência disso. Continuas a mexer comigo como só tu sabes. É a tal imagem aberta que criei dentro de mim, em relação a ti... Uma imagem disposta a moldar-se a tudo, quer seja bom, quer seja menos bom. Uma imagem que suporta todo o tipo de caracteres. Um lugar teu, que ocupou um espaço em mim, sem pedir licença. Com licença, deixa-te ficar.

Amo-te.
Amo-nos.
Ama-me.
Creio-nos.
Deseja-me.
Sabe-me.
Agradas-me.
Perpetua-nos.



[Cada lugar teu, atado a mim, a cada lugar meu.]

TP*

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Desabafo


Um dia pensei que as fantasias não passavam disso e que nunca teriam qualidades quotidianas, reais.
Um dia pensei nunca mais te ver. Um dia imaginei-te perto de mim.
Um dia desejei tanto que soubesses que estava a pensar em ti, que fiz muita força para que sentisses. (Sentiste?)
Um dia chorei por estar a negar-te-me-nos.
Um dia sufoquei. E não aguentei.

Quantas vezes desejei não ter personalidade.
Quantas vezes sonhei recuar no tempo.
Quantas vezes me agarrei a músicas, cujos acordes me faziam ouvir-te.
Quantos milhões de recantos me lembravam de nós.

Aquele nós era tão apetecível, tão intenso e tão credível.
Aquele tu era tão amado.
Aquele eu estava a renascer por te amar.

Posso tentar dizer muita coisa, já sabes que nada se compara ao efectivamente sentido. Por mais tentativas que possa fazer, tu és sem dúvida muito mais que palavras. Nós somos muito mais que expressões e isto é muito mais que tudo.

Hoje sei que te amo. Hoje sei que te quero, elevado ao infinito.
Hoje sei que nada mais me pode fazer recuar, porque simplesmente isto é já demasiado avançado.
Hoje sei que se pudesse voltar atrás, faria tudo diferente. (Ou não. Por mais penosos que possam ter sido aqueles sete meses, há que valorizá-los, eles fizeram-nos ver o bem que quase perdemos, por causa do medo de tentar.)

Não querendo ser pretensiosa, nunca hás-de encontrar nada igual.
É demasiado próprio.
É totalmente fora-de-série.
E sabe tão bem quanto o bem que faz.

Amanhã não sei.
Mas se houver amanhã, que seja tão bom ou melhor que o hoje.



[Maybe tomorrow i'll find my way home.]

TP*

domingo, 12 de julho de 2009

I miss you now



I feel I wanna hold you, wanna tell you that you'll be alright! Sang this song today, it's recalling your pictures all in my mind!...

Porque faz todo o sentido dizer que me fazes falta. Não é só aquele dizer-da-praxe-só-por-ficar-bem. Nunca foi. A questão é que cada vez tem sido mais forte. E se anteontem me fazias falta, ontem fizeste-me muita falta e hoje fazes-me uma falta brutal. Não sei se aguentarei amanhã. Mas não há-de ser assim eternamente, não é? E quando estiver contigo, depois volta a falta ao início.

I miss you now!

Dava tudo, trocava tudo, fazia tudo para poder estar contigo agora. Somente estar. Já nem pedia para te tocar. Apenas ver-te. Ter a certeza que não és aquela miragem que está sempre a aparecer no meu dia-a-dia, a assombrar-me deliciosamente. Nem eu sabia que era assim tão terna. Até o mais frio dos seres se comove face a um sentimentos destes. E a minha comoção é o meu amor por ti.

I wanna kiss you goodbye.
I'm helpless!...


Recebe o meu beijinho de boa noite. Recebe e guarda-o na memória dos teus lábios. E sempre que fechares os olhos, sente-me a sussurrar-te na boca que te amo, com o gesto que melhor o representa.



[Wanna tell you that you'll be alright.]

TP*




sexta-feira, 10 de julho de 2009

Problema de expressão



Só pra dizer que te amo, nem sempre encontro o melhor termo, nem sempre escolho o melhor modo. Devia ser como no cinema,a língua inglesa fica sempre bem e nunca atraiçoa ninguém. O teu mundo está tão perto do meu e o que digo está tão longe, como o mar está do céu.

Só pra dizer que te amo, não sei porquê este embaraço, que mais parece que só te estimo. E até o momento em que digo que não quero e o que sinto por ti são coisas confusas. E até parece que estou a mentir, as palavras custam a sair, não digo o que estou a sentir. Digo o contrário do que estou a sentir.

E é tão difícil dizer amor. É bem melhor dizê-lo a cantar. Por isso esta noite, fiz esta canção, para resolver o meu problema de expressão, pra ficar mais perto, bem mais de perto, ficar mais perto, bem mais de perto...


Pois é, mas no meu coração tu continuas a mandar!...



[Só pra dizer que te amo.]

TP*

sábado, 4 de julho de 2009

Saltei de mim



Salta comigo, por favor, não temas o abismo. Quero entrar, sem reservas, nesse antro de egoísmo. Prometo que é fácil encontrar um pouco mais. Se o espírito saiu, o corpo não permanece... em mim! A vontade de ficar... Tu já saiste e eu não fui feita para amargar. Tu sabes, não é fácil encontrar um pouco mais. Saltei de mim, tem cuidado, meu amor, estás em perigo, olha que mais um passo, meu amor, cais comigo. Vou abusar do teu corpo, tem cuidado contigo. Para mim, eu rendo, desejo, abrigo.

Salta e sente, quero entrar, de repente e não parar. Morro um pouco, só depois, por ver que nada resta aos dois...


Porque hoje me sinto assim, assolada por uma vontade de não te largar. Estou a caminho. Se fizeres o favor, não fales quando me vires.
Cala-te e beija-me.



[Tem cuidado contigo.]

TP*

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Somersault



You're the prince to my ballerina!

Tens-me, oh Céus, se me tens!... Tens-me como tens o tempo que está sempre contigo. Como tu te tens a ti, assim me tens a mim. Não vou continuar a fazer-me de forte e a achar que posso controlar tudo e mais alguma coisa, não, isto está-me a fugir das mãos. Já não sou eu que o domino. Sinto-me dominada por ele. (E por ti, também.) Já não há mais nada a que me possa agarrar senão a ti. Atingiste aquele patamar, aquele estatuto transcendente, que refreia os amantes das grandes obras-primas da Literatura. Aquele estigma, o meu estigma.

You put my feet back on the ground, did you know you brought me around? You were sweet, and you were sound... You saved me!

Que apetite ávido de querer fazer isto tudo em vez de o dizer. De mostrar-te através de actos tudo que escrevi. Será possível? Um só toque bastaria, já que o meu olhar é traiçoeiro e quando te olha, não te vê. Porque sabe que se te vir será para nunca mais se desviar de ti. Sim, um toque. Um toque de mim em ti revelaria o toque que tens em mim. A tatuagem que, naturalmente, se foi desenhando em torno de mim, por causa de ti, visando o nós.

You're the ivory to my ebony keys...

Ao mesmo tempo que isto se me afigura tudo muito delicado, logo vem um pensamento tresloucado à cabeça, uma ideia selvagem, uma intenção indomesticável, uma fantasia obstinada, um plano austuciosamente insurgente. Que mescla de profano e sagrado! Despertas as antíteses mais vincadas que há em mim e confundes os meus cinco sentidos. Lá está, é um "quase que prefiro não te encontrar, para não ter que te deixar depois" e um "gosto tanto dele que não sei como o desejar".

QUE SAUDADES. Não sei que fazer quando te encontrar. Sei viver com a ideia de que te vou voltar a ver, mas não com a certeza que depois terei que te deixar, outra vez. E trinco os lábios de raiva, já a pensar no acto de "ir embora".

See I had shrunk yet still you wore me around...



[Somersault in sand with me.]

TP*

quinta-feira, 2 de julho de 2009

The sea


Às vezes, era assim que gostaria de ficar contigo. Amparados por uma paisagem idílica, assim ficariamos até que o mar nos levasse para longe do nosso presente. E perderíamos o nosso juízo e a nossa sanidade. Só porque, de vez em quando, não faz mal fugirmos de uma racionalidade que atazana a nossa subconsciência!...

Worries vanish within my dream!...

Consegues equacionar uma fórmula sobre nós? Eu não. E sinto-me ignorante por isso. Mas também não quero. Porque há fórmulas que dão um resultado negativo. E contigo só quero positivo. É impressionante como me cativas, nem que seja com um gesto, uma expressão, um olhar. Que poder!... Não é bom sentir-me cativa. Mas é bom quando, dentro do cativeiro, consigo soltar-me e fazer(-te) o que quero.

Tem cuidado contigo. Quero abusar de ti.

The sun is shining, the waters clear, just you and I walk along the pier...

Quero-te neste Verão. Quero-te só para mim. Vais ser o meu gelado e eu vou-me derreter de cada vez que chegar perto de ti. Não que mexas demasiado comigo. Apenas mexes o suficiente. (E um pouco mais.)

Estou sem inspiração. As coisas bonitas hoje não me saiem. Talvez porque, de tanto as estar a viver, elas tornam-se demasiado óbvias para ser ditas e descritas.

Mas que mais há a dizer senão um "Amo-te"?
Há palavra que, na Língua Portuguesa, signifique mais? Se encontrares alguma, avisa-me. O saber não ocupa lugar. Mas não te entusiasmes, se a descobrires. É que, sabes, vai haver sempre uma que ainda não é conhecida. Porque ainda não foi inventada. Porque é só minha e tua. Ambos (não) sabemos qual é. O abecedário é demasiado limitado. E nós extravasamo-lo em milhas.

Sim.
Gosto de ti.
Assim, só mais um bocadinho do que agora.
E do que agora.
E assim, sucessivamente, até amanhã.

I left my soul there, down by the sea. I lost control with you.


[Living free.]

TP*