sexta-feira, 3 de julho de 2009

Somersault



You're the prince to my ballerina!

Tens-me, oh Céus, se me tens!... Tens-me como tens o tempo que está sempre contigo. Como tu te tens a ti, assim me tens a mim. Não vou continuar a fazer-me de forte e a achar que posso controlar tudo e mais alguma coisa, não, isto está-me a fugir das mãos. Já não sou eu que o domino. Sinto-me dominada por ele. (E por ti, também.) Já não há mais nada a que me possa agarrar senão a ti. Atingiste aquele patamar, aquele estatuto transcendente, que refreia os amantes das grandes obras-primas da Literatura. Aquele estigma, o meu estigma.

You put my feet back on the ground, did you know you brought me around? You were sweet, and you were sound... You saved me!

Que apetite ávido de querer fazer isto tudo em vez de o dizer. De mostrar-te através de actos tudo que escrevi. Será possível? Um só toque bastaria, já que o meu olhar é traiçoeiro e quando te olha, não te vê. Porque sabe que se te vir será para nunca mais se desviar de ti. Sim, um toque. Um toque de mim em ti revelaria o toque que tens em mim. A tatuagem que, naturalmente, se foi desenhando em torno de mim, por causa de ti, visando o nós.

You're the ivory to my ebony keys...

Ao mesmo tempo que isto se me afigura tudo muito delicado, logo vem um pensamento tresloucado à cabeça, uma ideia selvagem, uma intenção indomesticável, uma fantasia obstinada, um plano austuciosamente insurgente. Que mescla de profano e sagrado! Despertas as antíteses mais vincadas que há em mim e confundes os meus cinco sentidos. Lá está, é um "quase que prefiro não te encontrar, para não ter que te deixar depois" e um "gosto tanto dele que não sei como o desejar".

QUE SAUDADES. Não sei que fazer quando te encontrar. Sei viver com a ideia de que te vou voltar a ver, mas não com a certeza que depois terei que te deixar, outra vez. E trinco os lábios de raiva, já a pensar no acto de "ir embora".

See I had shrunk yet still you wore me around...



[Somersault in sand with me.]

TP*

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